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Qui, 08 de Julho de 2010 19:50

Dilma ou Serra?

Escrito por  Ronald Carvalho

A economia está amarrada num sistema financeiro férreo, controlado por um Banco Central inatacável e todo-poderoso, cercado da aprovação dos bancos, das forças financeiras internacionais e do "Big Money" mundial.

O povo está anestesiado e feliz, entupido de subsídios, bolsas, empregos públicos (e sua indústria dos concursos) e privilégios, que garantem uma contínua ascensão das classes trabalhadoras a um pedestal de consumo sem precedentes.

A inflação está sob controle, o que justifica qualquer besteira, tipo investimento público irrisório, juros altos, infraestrutura sucatada e crescimentos pífios da economia.

Nesta mesma economia, três ou quatro estatais e os fundos de pensão gigantescos das próprias estatais asseguram uma ditadura do funcionalismo público sem precedentes na história econômica do capitalismo moderno. De fazer Marx virar na tumba...

Politicamente, a governabilidade de um governo conservador (afinal, como dizia Churchill, nada mais conservador que um trabalhista no poder) está assegurada pelo PMDB de Sarney. A fidelidade dos aliados está garantida por esquemas de corrupção inimagináveis, cuja paz é garantida por operações policiais periódicas que denunciam meia dúzia de bodes expiatórios punidos mediocremente, ostentando assim uma fachada de dignidade. "PAX ROMANA"...

Uma política externa bombástica e oca garante ao Governo Lula uma credibilidade internacional pomposa e ao próprio Lula uma condição de líder internacional que nem o príncipe FHC conseguiu... Falsamente contestatória, mas no fundo uma política de "house niger", ou seja, a velha expressão americana para designar aquele escravo fiel aos senhores todo-poderosos, que não incomoda muito e ao qual se atribuem alguns privilégios falsos... O episódio do Irã, longe de significar uma política externa independente, apenas esconde uma transação comercial que interessa a todos, principalmente aos grandes vendedores de armas internacionais, ou seja, aos próprios EUA...

Serra eleito, sendo ele o candidato mais à esquerda, num espectro ideológico e econômico, ameaçará toda esta armação aparentemente inexpugnável, que pode ruir inteiramente nas mãos de um governante realmente competente em termos gerenciais, e independente de verdade, do ponto de vista político.

Se Dilma for eleita, deixará de existir a figura carismática de um líder forte e altamente competente como negociador interno e externo. Assim, estas forças principais da República: sindicatos, funcionalismo público e fisiologismo político, mostrarão suas garras, fora de qualquer controle possível...

Não podemos esquecer Marina Silva. Uma candidatura que denuncia um plebiscito. Uma candidatura que mostra um novo caminho de governar, que denuncia nossa maior necessidade: um país melhor, mais justo, com mais respeito e organização institucional.

Ao eleitor, caberá decidir se quer mudar o Brasil ou deixar como está. Ou piorar ainda mais. Como dizia a velha "raposa" Delfim Neto: "Nada está tão ruim que não possa piorar". Serra pode mudar o Brasil. Marina pode mudar o Brasil. Dilma pode?

Ronald Carvalho

Ronald Carvalho

Consultor e presidente da ADVB-ES.

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