A inovação depende fortemente de pesquisas e transferência de tecnologias para as empresas, as quais se valerão de novos produtos e serviços para aumentar sua competitividade, gerando empregos e garantindo sua sobrevivência a médio e longo prazos.
A velocidade na implantação de uma inovação é essencial para a organização que a desenvolveu, tanto assim que empresas se utilizam até de espionagem para poder lançar novos produtos antes dos seus concorrentes. Lembrem-se do caso entre a Ferrari e a McLaren ocorrido na disputa da Fórmula Um.
Simplificadamente, podemos deduzir que o desenvolvimento nacional depende de inovação, e que esta depende de pesquisas (e, portanto, de pesquisadores) e de velocidade na criação e transferência dos conhecimentos criados para as empresas.
De outra parte, os valores envolvidos, que são incentivos governamentais, devem ser acompanhados e controlados por entidades criadas para esta finalidade.
Os controles são necessários, mas não podem desestimular os pesquisadores nem
burocratizar o processo com o intuito de antecipar e prevenir a ocorrência de todos os desvios possíveis, como temos visto atualmente. Os excessos por parte destes órgãos, por sua vez, têm amedrontado muitos pesquisadores, que por isto têm evitado assumir os riscos e as responsabilidades que uma pesquisa envolve. É, sem dúvida imprescindível, a atuação dos órgãos de controle; porém, o diálogo também é indispensável, para que não se cometam os excessos atuais, com prejuízo para toda a sociedade.
Um bom paralelo para o entendimento do que aqui foi colocado é o caso de um síndico de um edifício, que com a intenção de economizar a água que garotos do prédio gastavam lavando suas bicicletas, retirou a torneira do tanque.
Tal atitude não impediu a utilização da água pelas crianças e criou um atraso e um custo adicionais nas tarefas que deviam ser realizadas, porque esta torneira era usada para apoiar a lavagem do pátio e da portaria central do prédio.
Desvios não deixarão de existir. Não se pode, entretanto inviabilizar sistemas que são eficientes, na tentativa de se tentar bloquear todos os desvios possíveis. É preciso que os órgãos encarregados do controle conheçam o processo que envolve fazer pesquisa.
E alguns entendam que os pesquisadores não são desonestos por princípio, nem aproveitadores, como se tem visto em muitos setores da nossa sociedade.
Os desvios cometidos com intenção dolosa, quando comprovados, devem ser punidos com rigor; mas eles representam mínima parcela neste setor.
A demanda por pesquisadores tem sido crescente em nosso Estado.
O noticiário informa que o Espírito Santo pretende ser referência na produção de conhecimento. O Governo Federal, assim como o Governo Estadual, por meio da Secretaria da Ciência e Tecnologia, estão incentivando a pesquisa e o pesquisador.
Os técnicos da área de controle podem e devem sugerir atitudes preventivas. Mas os administradores não podem se acomodar e deixar que o controle seja um fim em si mesmo, porque o objetivo maior deve ser o da realização da pesquisa. Os administradores devem assumir suas responsabilidades e ter discernimento para decidir o que é melhor para a sociedade: se o progresso ou a estagnação.
Se, por quaisquer razões, esta atitude de acomodação prevalecer, poderemos chegar à incrível situação de "fazermos de forma perfeitamente legal, o nada".
A consequência ?
- Proporcionar à sociedade brasileira um apagão científico.
João Luiz Vassalo Reis é superintendente da Fundação Espírito-Santense de Tecnologia (Fest), e professor de engenharia e administração da Faesa.




