Por incrível que pareça, o mundo vive um momento propício ao luxo, apesar da crise econômica internacional, amplamente comentada e conhecida. Não é difícil, porém, entender esse aparente paradoxo.
Crise, falência dos mercados, perda de confiança do investidor, incerteza, falta de dinheiro, falta de investimentos, falta de empregos. É este o quadro que vivemos. Quadro que pode gerar concentração de renda. As empresas são obrigadas a voltar-se para as populações de alta renda que, além de tudo, sofrem menos com as crises. O mercado de cosméticos, que cresceu no Brasil e no mundo, é um exemplo dramático dessa tendência. O presidente da Natura declara que, em épocas de crise, as pessoas buscam mais satisfação pessoal, principalmente nos segmentos de alta renda.
Vitória e nosso Estado não fogem a essa regra. O mercado de grifes, restaurantes de luxo, apartamentos de primeira linha, automóveis de luxo cresce, com novos lançamentos a cada semana. Um exemplo disso é o Club de France, espaço luxuoso de grifes, cosmetologia, café e galeria de arte, em área nobre da Praia do Canto.
A Gafisa, grande incorporadora nacional, em parceria com a local Épura, lança na Praia da Costa um prédio de nível internacional, um apartamento por andar, no ponto mais nobre do bairro. A importação de automóveis de luxo volta a aquecer o setor de comércio internacional em nosso Estado.
Segundo o professor Mario René Schweriner, chefe do Departamento de Ciências Humanas da ESPM, quanto mais a gente sofre mais almeja padrões de consumo elevados. A democratização da informação mostra na TV todos os dias que é possível e desejável consumir qualidade. As novelas mostram esses padrões.
Não podemos, porém, perder de vista que nesses tempos duros, em que a responsabilidade social surge como uma imposição da modernidade, o respeito às camadas menos favorecidas e os programas de sustentabilidade não podem ser esquecidos, sob pena de cairmos na síndrome de Maria Antonieta. Lembram-se? "Não tem pão, comam bolo!" Nada contra produtos e serviços de luxo. Desde que lutemos também pela democratização da riqueza e pelo crescimento econômico usufruído por todos. Luxo não é futilidade! Países em crescimento como a China e a Índia usam esse mercado de luxo para dar emprego e criar riqueza.
Por isso também crescem as iniciativas sociais e as verbas empresariais dedicadas aos programas de responsabilidade social. A Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing - Seção do Espírito Santo (ADVB-ES) lança o Top Socioambiental, com mais de 20 casos exemplares de sucesso no respeito ao meio ambiente, político, social e físico. O Instituto Ethos floresce em Vitória, com as principais lideranças empresariais locais preocupadas com a questão social. ONGs dedicadas ao movimento social crescem, como o Junior Achievement, o CIEE, o Ponto Solidário e seu programa de comércio justo para o artesanato capixaba, com apoio do Sebrae, e muitos outros projetos deste cunho social.
Luxo não é só futilidade. Luxo poder ser criação de empregos e geração de renda para populações menos favorecidas. Luxo, porém, não pode ser sinônimo de exploração, nem de desrespeito à lei do País. Os empresários que se dedicam aos produtos de luxo não podem esquecer as contradições de um País cheio delas.
Ronald Z. Carvalho, consultor, presidente da ADVB-ES.





