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Sex, 07 de Maio de 2010 13:23

Petróleo, royalties, inovação e sustentabilidade

Escrito por  Fernando Schettino
A expectativa é de que as imensas reservas de energia fóssil tragam grandes investimentos para o País e para estados e municípios produtores, principalmente. Aspecto positivo e estratégico para sustentar o desenvolvimento socioeconômico. A qualidade desse desenvolvimento, porém, dependerá da forma que for conduzido, e de atitudes políticas e dos recursos disponíveis a serem aplicados em sustentabilidade e inovação, o que, se feito adequadamente, tornará o País referência tecnológica, social e ambiental. Caso contrário, poderá haver problemas para os ecossistemas, dificultar avanços tecnológicos e afetar a qualidade de vida.

Experiências em grandes regiões produtoras mostram que a implantação da atividade petrolífera gera impactos sócio-ambientais consideráveis. Por isso, governantes e sociedade devem se preparar, para maximizar os aspectos positivos dos recursos que advirão e minimizar os impactos indesejáveis, nas regiões diretamente envolvidas com as atividades.

Petróleo e gás poderão dar ao Brasil e ao Espírito Santo uma sólida base para o futuro, mas é necessário ao aproveitar essa riqueza, elaborar um modelo de desenvolvimento que priorize recursos para uma adequada evolução e estruturação institucional da área ambiental; para melhor monitorar, fiscalizar e controlar a prospecção, o transporte, o armazenamento e quem sabe no futuro o refino do petróleo. Também é preciso elaborar planejamento estratégico das regiões envolvidas com a atividade, preparando um caminho para uso racional dos royalties - que estão querendo, indevidamente, retirar dos produtores - realizando investimentos maciços em educação, pesquisa e desenvolvimento tecnológico que levem o País e o Estado e serem expoentes em inovação e sustentabilidade em toda a indústria do petróleo e gás, tal como a Petrobras já o fez com a exploração de petróleo em águas profundas; a Embrapa e outras instituições, como Ufes, Ifes e Incaper, fizeram com o agronegócio; e a Embraer com a fabricação de aeronaves regionais, tornando-se líder mundial. Nesses casos, a intervenção responsável do poder público estimula a inovação, a busca de eficiência e sustentabilidade sempre se fez presente.

O momento é de ação sobre o destino dos royalties do petróleo, em função dessa ideia estapafúrdia de tirar recursos das regiões produtoras, que terão que arcar com todos os problemas naturalmente oriundos da atividade petrolífera, sem terem recursos para contrapor a isso, se houver mudança na distribuição dos recursos sem diferenciação de áreas produtoras ou não.

Poderá ser um caos para o desenvolvimento científico e tecnológico e para a sustentabilidade, visto que o dinheiro será pulverizado e dificilmente trará os resultados sociais, tecnológicos e ambientais que a extração dessa riqueza como é hoje previsto pode vir a proporcionar ao País e aos estados e municípios produtores, como é o caso do Espírito Santo.

Fernando Schettino

Fernando Schettino

Professor associado da Ufes, é engenheiro florestal, Mestre e Doutor em Ciência Florestal pela Universidade Federal de Viçosa (MG) e especialista em Gestão Estratégica do Conhecimento e Inovação pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

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