No âmbito mundial, há uma recuperação lenta e gradual da economia norte-americana através do acúmulo de pacotes de auxílio, com um alto endividamento do setor público. A questão é que, ainda que eles afastem o fantasma da recessão e propiciem algum crescimento, criam um agravante futuro, quando chegar a hora de a conta ser paga. E essa constatação vale para todo o mundo desenvolvido!
Nos EUA, os riscos para a recuperação da economia ainda persistem, notadamente quanto à questão dos bancos, mesmo que o tempo tenha sido favorável para limpar os balanços dos ativos podres. Na economia real, um eventual segundo mergulho traria consequências danosas, sabendo que todos os estímulos e subterfúgios já foram utilizados.
A questão mais grave é da Europa. Não há chances de deixar alguns dos integrantes da Zona do Euro quebrar, depois dos socorros milionários à Grécia e à Irlanda. Mas se a onda atingir países mais expressivos, como Itália e Espanha, pode complicar muito a situação. Como saída, a clássica receita de um ajuste fiscal sério e um longo período de crescimento baixo.
Com relação à China, a grande tarefa é fazer uma aterrissagem suave, evitando um surto inflacionário e a formação de bolhas de ativos, se considerarmos a necessidade premente de criação de empregos, pilar de sustentação do regime. A alternativa deve passar por alguma valorização do Yuan, com aceleração de aumentos de juros e compulsórios.
Neste cenário, o mais provável é que enfrentemos um ano de baixo crescimento das economias desenvolvidas e mercados de lado, com suave tendência altista, salpicada por muita volatilidade.
No Brasil, o ano se inicia com inflação tencionada, resultante da inflação importada e do aquecimento da demanda interna. As commodities não trarão o alívio esperado, mas o ano começa bem quanto ao nível de atividade, mesmo com as medidas de contenção de crédito adotadas pelo Bacen. Ajustadas as expectativas às novas regras de crédito, a indústria pode ser beneficiada pela recomposição de estoques do varejo, após o excepcional Natal.
Portanto, o cenário é de um ano de menor crescimento que 2010, mas com acentuada expansão de demanda. Os setores mais beneficiados serão os bens de consumo, semi e não duráveis, impulsionados pela classe média emergente e aumento do poder de compra da classe E. Mesmo com os riscos inflacionários, os resultados do ano não serão comprometidos.
Ademais, está contratado um ciclo de aumento de juros, promessa de austeridade fiscal e alerta do Ministro da Fazenda para evitar fortalecimento adicional do real. Assim, internamente, os riscos dependem da capacidade do Governo de implantar o discurso de austeridade fiscal e independência do Bacen, que, ao lado do câmbio flutuante, formam os pilares de sustentação da política econômica brasileira.
Resumidamente: ano novo, vida nova. Teremos um bom 2011, ainda que com o retorno do crescimento a um patamar mais sustentável e com os riscos de toda a sorte.





