As descobertas de mega-campos de petróleo e gás no Pré-Sal deverão tornar o Brasil exportador de petróleo, ou seja, de energia; o que, aliado a outras vantagens comparativas que possuímos, tais como, terras agricultáveis, água, biodiversidade e sol, podem mudar a condição de vida do povo brasileiro, se houver bom aproveitamento dessas riquezas. Assim o País passará a ter mais poder de influenciar os rumos das políticas mundiais, especialmente de energia e de meio ambiente.
Reservas importantes de petróleo e gás trazem boas perspectivas para nossa economia e são bem vindas, porém, não se pode com isso esquecer que geram riquezas temporárias e que, pelo fato de a maior parte da energia utilizada no mundo ser oriunda dos combustíveis fósseis, isso vem provocando desequilíbrio climático e de todo meio ambiente, com previsões nada animadoras para o futuro, se não forem diminuídos os níveis de utilização dessas fontes energéticas.
Esses fatos têm levando governantes, setor privado e cientistas em todo o Planeta a buscarem alternativas sustentáveis para manutenção do desenvolvimento socioeconômico. Tendo-se já consenso de que o desenvolvimento, para ser sustentável, precisa ser baseado em inovação, energias limpas e zelar pela conservação de energia e da biodiversidade.
Possivelmente, é por essa razão que o Presidente Obama deu destaque, em seu recente discurso no Congresso Americano, acerca da necessidade de priorizar investimentos em inovação por mecanismos sustentáveis e em energias renováveis, quando afirmou que: ..."inovação não muda apenas nossas vidas. É a maneira como vivemos"...; e que ..."Investimos demais em indústrias velhas, como a siderúrgica, e energias de ontem, como o petróleo"..., sinalizando que uma política com ênfase em inovação e energias renováveis é fundamental para os EUA manterem a liderança na economia mundial. O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) tem reforçando a abordagem desses temas na política científica e tecnológica brasileira.
Priorizar inovação, energias alternativas e renováveis, ecoeficiência e racionalidade no uso de energia é fundamental neste momento, quando a euforia com as descobertas de petróleo e gás é muito grande, pois se deve aproveitar essas riquezas para desenvolver o País, investindo mais em conhecimentos e infraestrutura que viabilizem novos setores de negócios de forma sustentável e torne as alternativas energéticas renováveis cada vez mais efetivas e viáveis.
Assim, as políticas governamentais precisam continuar crescentemente apoiando ações e estímulos para consolidar a cultura da inovação e do uso de energias renováveis no país, espaços em que o setor privado também precisa realizar os esforços que lhe cabem. Além disso, os governos devem contribuir cada vez mais no aprimoramento dos marcos legais da gestão e do acesso aos incentivos ligados a esses temas e buscar, quando possível, reduzir ou isentar a carga tributária sobre investimentos em pesquisa e desenvolvimento - P&D nessas áreas.
Com atitudes assim, haverá mais inovação e capacitação tecnológica das empresas, bem como avanços na ecoeficiência e no uso de energias renováveis, o que dará mais competitividade, qualidade e sustentabilidade ao desenvolvimento socioeconômico brasileiro.





