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Ter, 12 de Abril de 2011 16:31

Inovação 2011

Escrito por  João Vassalo
 

Segundo a pesquisa "Obstáculos à Inovação", feita pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), 59% das empresas entrevistadas citaram a elevada carga tributária incidente sobre os gastos com P&D, seguida das altas taxas de juros e dos custos de financiamento (58%), como os principais fatores que impedem ou dificultam os investimentos em inovação. A principal conclusão do estudo é que o fator econômico é preponderante na tomada de decisão das empresas para investir em inovação. Esses custos, combinados com a valorização do câmbio, contaminam o custo dos projetos e desestimulam os investimentos das empresas em inovação.

Entretanto, o governo federal tem incentivado a inovação. Segundo Sergio Rezende, ex-ministro da Ciência e Tecnologia, o "grande desafio do momento atual da economia brasileira é fazer com que a ciência e a tecnologia resultem em inovações e, portanto, em riqueza".

A Lei da Inovação influenciou a Lei do Bem (Lei n. 11.196), que criou os incentivos fiscais à inovação. Sergio Rezende foi substituído por Aloísio Mercadante, que já afirmou que "pesquisa e inovação têm risco e, por isso, a Finep vai precisar ser uma instituição especifica de fomento".

O novo presidente da Finep, Glauco Arbex, informou que pretende "aumentar o investimento em inovação, para o que almeja um adicional de R$ 4 bilhões até 2014, que seriam investidos em empresas, via concessão de crédito". O novo presidente do Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico (CNPq), o cientista Glaucius Oliva, afirmou que deseja "aumentar a inovação" no País e, para isso, pretende "ampliar as relações entre universidade e empresas". O CNPq é o principal financiador de ciência no País. Em 2010, seu orçamento foi de R$ 1,8 bilhão.

No Espírito Santo, a Fapes, que é o braço operador da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Sect), agora sob o comando do professor Jadir Pella da Fies, tem como novo presidente o pesquisador Anilton Sales Garcia (que tem larga experiência na interação universidade / empresas), em substituição ao também pesquisador Aureliano Nogueira da Costa, que já desenvolveu excelente trabalho nesse mesmo sentido.

O Programa de Apoio à Pesquisa em Empresas (Pappe) tem sido operado no Estado pela Sect. A Sect e a Fapes já anunciaram no início de fevereiro que o setor de ciência, tecnologia e inovação será contemplado com R$ 9 milhões para desenvolvimento de pesquisas e capacitação de recursos humanos.

Parece-nos que o alinhamento está completo, inclusive com a conscientização de que a inovação se dá nas empresas, com a aplicação dos conhecimentos tecnológicos desenvolvidos. No entanto, persiste ainda a dificuldade universal que é a interação academia x empresas, visto que ambas têm objetivos aparentemente diferentes. Essa dificuldade de interação é o grande desafio que a sociedade tem a enfrentar neste momento, pois somente de braços dados pode-se conseguir a sustentabilidade da competitividade até hoje desenvolvida, que nos proporcionará as riquezas e o desenvolvimento econômico almejados. A solução passa pela definição de metodologias que lubrifiquem essa interação.

João Vassalo

João Vassalo

Superintendente da Fundação Espírito-Santense de Tecnologia (Fest), e professor de engenharia e administração da Faesa.

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