Quinta, 09 de Setembro de 2010
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Entrevista

Renato Bernhoeft

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"As pessoas colocam a felicidade como um estado permanente, e não é. Eu acho que a felicidade é uma busca permanente."

O entrevistado deste mês, um respeitado consultor, é especialista na administração do maior patrimônio que se pode possuir: o tempo. Entre os 15 livros que publicou até o momento, sobre temas que incluem também sucessão familiar nas empresas (outra especialidade sua), dois já se tornaram clássicos: "Administração do Tempo" e "Desperdiçadores de Tempo: Quais São e Como Administrá-los".

Mas as propostas de Renato Bernhoeft fogem ao padrão. Quem buscar em suas obras algo semelhante aos badalados manuais de autoajuda, com receitas prontas para aplicar no dia a dia empresarial, provavelmente irá se decepcionar. É o próprio autor quem alerta: "Não há receitas prontas; uma simples análise sobre as formas como usamos o tempo pode nos levar a mudanças pouco significativas ou de consistência duvidosa".

Fundador e presidente da paulistana Höft Consultoria, Renato atua como consultor nas áreas de Tempo, Qualidade de Vida, Empresa Familiar e na preparação de executivos para o pós-carreira corporativo, atendendo empresas de toda a América.Latina. Acompanhe, a seguir, sua conversa com os jornalistas da ES Brasil.


Se tempo é dinheiro, qual a melhor forma de aplicá-lo?

Na realidade, tempo é muito mais importante que dinheiro, porque se você tem um prejuízo financeiro, pode recuperar. Mas o tempo é inelástico e irreversível. Não é possível parar, estocar nem recuperar o tempo. Por isso, ele é uma das coisas mais preciosas que temos na vida e a razão pela qual administra-lo é vital. Agora, as pessoas tendem a não dar muita importância ao tempo, até porque essa questão depende muito do momento de vida em que se está. E a dimensão do tempo é também uma questão de sensação. Um mesmo evento pode ser percebido de maneiras diferentes. Se for agradável, parece passar mais rápido. Então, não dá para estabelecer receitas. Claro que há várias maneiras de geri-lo melhor, usar ferramentas, como a agenda, mas, acima de tudo, há duas questões fundamentais: estabelecer prioridades, porém de acordo com seu momento de vida. Se você é casado sem filhos, é uma coisa; se você é casado e tem filhos, suas prioridades serão outras, bem diferentes.

renato3Por que não é uma habilidade natural saber lidar com o tempo? E qual a maior importância de aprender a administrá-lo?
Há uma diferenciação no uso do tempo entre homens e mulheres. A mulher tem uma habilidade natural maior para lidar com o tempo, sobre o qual tem uma visão mais holística, mais abrangente. É claro que não dá para generalizar, mas peguemos, por exemplo, uma mulher e um homem que trabalham fora. O homem privilegia o trabalho, e ponto. Já a mulher, independentemente da carga de trabalho, não deixa de atender às demandas como mãe, esposa, filha, amiga e outros papéis que desempenha. Elas, em geral, têm mais demandas do que os homens, e então são mais pressionadas a se equilibrar, a lidar melhor com o tempo. Claro que isso também varia de acordo com o momento de vida, porque a questão do tempo abrange toda a sua vida, de forma diferente a cada época.

Dizem que quando se faz o que se gosta, se arranja tempo. É possível arranjar tempo?
Isso é relativo, porque você corre o risco de dedicar mais tempo a algo simplesmente porque gosta daquilo, não necessariamente por estar de acordo com seus propósitos, por ser importante ou urgente. E isso pode acontecer mesmo no trabalho. Se você tem uma atividade que gosta mais, a tendência é dedicar mais tempo àquilo e ir adiando o que não gosta. Do ponto de vista do tempo, isso pode ser uma armadilha.

Por que a noção de tempo pode ser tão contraditória - às vezes, sentimos que o tempo é infinito e, outras vezes, que não temos tempo para nada?
Uma das coisas é que a quantidade de informação que recebemos hoje é imensa e contínua. Se você não estabelece um limite, se perde e termina tomando conhecimento de muitas coisas que não interessam. É indispensável estabelecer algum tipo de prioridade, mas deve-se fazê-lo em função do que é importante para a sua vida naquele momento - saúde, relacionamentos - e promover uma distribuição do tempo mais adequada a este momento. Entretanto, temos um problema cultural: não fomos educados a nos apropriar da nossa própria história, nem família nem escola nos educam para isso. Em que momento eu paro, examino e me indago: o que é que eu preciso fazer com a minha vida? As pessoas tendem a não refletir sobre isso. A velha pergunta: "O que você vai ser quando crescer?" deve ser reformulada e repetida até o final da vida. "O que eu vou ser quando casar? E quando me separar? E quando meus filhos saírem de casa? E quando me aposentar?"

O progresso da tecnologia, que deveria liberar mais tempo para o lazer das pessoas, trouxe o oposto: celulares, palms e internet aumentaram o tempo trabalhado. Quais as conseqüências disso e como administrá-las?
A falta desse olhar preventivo aumenta a vulnerabilidade diante da tecnologia, que surgiu com o discurso de que com ela se teria mais tempo. Isso não é verdade, mas o uso inadequado dela é que dá essa condição. Não que a tecnologia seja ruim, mas se eu não desligo o celular, o computador, a internet, a TV, se eu não ponho limite, é ruim. Houve uma invasão de privacidade. Hoje a vida está invadida pela tecnologia, que só fez aumentar as demandas, e o efeito mais forte disso é a ansiedade. É preciso estabelecer limites para que os instrumentos da tecnologia não invadam sua vida.

Uma das dificuldades para administrar o tempo está na incapacidade de priorizar. O senhor recomenda que se analise o que é prioritário em cada papel - profissional, cônjuge, pai, amigo e assim por diante - e, dentro de cada um, se identifiquem as tarefas prioritárias, para então fazê-las. Isso não dificulta manter o foco em um alvo predeterminado?
Aí voltamos à questão: depende muito do seu momento de vida. Se você quer trabalhar bastante para acumular algo para o futuro, se essa é sua prioridade hoje, isso significa que você vai abrir mão de algumas coisas em função disso. O importante e o urgente vão ser definidos muito nesse sentido. E aí entra outra noção importante: nem sempre a maior quantidade significa a melhor qualidade. Então, não se trata de criar harmonia entre todos os papéis; mas equilíbrio em termos das prioridades que eu tenho na relação entre quantidade e qualidade. Não existe uma receita. O importante é que as pessoas estejam constantemente atentas a isso e reservem tempo para pensar. Pode-se usar algumas datas, como o aniversário, ou a passagem de ano, para fazer essas reflexões, avaliar a própria vida.

O senhor acha possível compatibilizar uma divisão adequada do tempo em prol da felicidade pessoal estando sujeito às exigências do ambiente corporativo atual?
O que me preocupa nessa questão é que as pessoas colocam a felicidade como um estado permanente, e não é. Eu acho que a felicidade é uma busca permanente. A vida tem muitos percalços, muitas coisas que fogem ao seu controle. Então, eu volto ao ponto: tem que parar e ver o que o está incomodando, provocando ansiedade, e pensar como trabalhar esta questão. E não se iludir, achando que se fizer uma agenda adequada, tudo estará resolvido. Não faltam macetes, mas eles têm um efeito relativo. A questão não é a mera divisão do tempo; temos que levar em conta o momento de vida, o nosso papel e a qualidade que queremos dar a isso.

As pessoas têm percepções diferentes do tempo conforme a idade?
Sim. A idade e as experiências de vida influem. Às vezes, mesmo um idoso não se vê no processo de envelhecimento, e hoje, com o aumento da longevidade, nós temos uma equação muito complexa para resolver: maior longevidade, com carreiras mais curtas. Aquela idéia de "entrar no Banco do Brasil e ficar até me aposentar" está acabando. Vamos ter que nos reinventar mais vezes ao longo da vida. O indivíduo que não se reinventar poderá entrar num processo de ostracismo, de depressão. Como disse, não somos educados para nos apropriarmos das nossas vidas. Achamos sempre que algo ou alguém vai dar um jeito, "a empresa vai cuidar da minha carreira", ou "Deus é brasileiro", e não é assim na realidade.

Por que, mesmo usando agendas para organizar seu dia, muitas não sempre conseguem dar conta de realizar todo o que programaram?
Porque, na verdade, a agenda não é usada como um instrumento do planejamento de prioridades; é apenas uma listagem de compromissos. É preciso usar a agenda utilizando o critério de prioridades, ou seja, separar o que é importante do que é urgente. E também se permitir tempo para pensar, para se isolar. O isolamento é uma coisa importante e produtiva, que as pessoas não costumam praticar porque pensam que se isolar - ler jornal, meditar - é perder tempo, e não é assim. É interessante observar que quando eu escrevi o livro Desperdiçadores de Tempo, em 1987, não existia celular, laptop etc., apenas o telefone fixo. Agora, quando eu revisei e ampliei o livro, olha quanto fatores novos aí. O telefone continua sendo o campeão das interrupções; o segundo é a incapacidade de dizer não, principalmente entre os povos latinos. Isso não mudou, só piorou com o advento do celular e de todo o aparato tecnológico. Outro fator foi a maior inserção das mulheres no mercado de trabalho. Houve muitas mudanças na sociedade, o avanço tecnológico trouxe essa avalanche de informação. Tudo isso aumentou muito as possibilidades interrupção, e a agenda, por si só, não resolve.

 

 

Luiz Wagner Chieppe

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"Nós temos que trabalhar em busca da multimodalidade, pois esse é o futuro"

Luiz Wagner Chieppe é um executivo incomum. Apesar da agenda lotada, o que não é nada incomum para alguém que exerce tantas funções como ele - é diretor de Relações Corporativas do Grupo Águia Branca, preside pela segunda vez a Federação das Empresas de Transportes do ES (Fetransportes) e exerce a vice-presidência do Movimento Empresarial ES em Ação -, não manifesta nenhum sinal de estresse ou cansaço durante a conversa com os jornalistas da ES Brasil, ocorrida na sede da Federação no início de mais uma noite quente do verão capixaba e após um dia cheio de compromissos, que começa às 5h da manhã, exercitando-se na sua academia preferida.

O cuidado com a saúde, aliás, é visível na boa aparência e na tranqüilidade que Luiz Wagner demonstra durante toda a entrevista. Responde com segurança às perguntas e deixa transparecer o entusiasmo e a energia de quem faz o que gosta. Enfim, um empreendedor cheio de idéias para desenvolver seu Estado natal e um gestor competente, como comprovam o seu currículo profissional e suas realizações. A seguir, a íntegra dessa conversa.

Qual sua avaliação quanto à situação atual da logística no Espírito Santo? Como o Estado pode manter sua competitividade nessa área?
Hoje nós estamos pagando uma conta no Espírito Santo por causa de dois problemas: primeiro, nada aconteceu nos últimos 15 a 20 anos. A rigor, nós tivemos construção de rodovias aqui na década de 70. De lá para cá, de aeroporto não tivemos nada, de porto também não - nada andou, com exceção do que foi privatizado ou concedido. O ES paga uma conta muito cara, porque toda a sua infraestrutura depende do Governo. Isso, para mim, é um erro institucional: o Estado ficar dependendo de investimento federal. E olha que já foi pior! A situação que temos hoje ainda é para se agradecer, porque temos um Governo que se entende com o Estado, que se entende com os municípios. Quando foi que tivemos isso aqui? Os três entes falando a mesma língua? E você vê que mesmo com tudo conspirando a favor, a coisa não anda.

Mas eu estou otimista em relação a 2010. Eu acho que não só aqui, mas no Brasil todo, obstruções importantes foram desfeitas e uma consciência foi criada na questão da mobilidade, que entrou na agenda nacional. Não é mais discurso; é convicção do que tem que ser feito, nas rodovias, ferrovias, aeroportos. De resto, no ES houve um esforço muito intenso para que pudéssemos criar o ambiente e as condições propícias para este ano, e nesse contexto o que destaco como importante é o Plano Estratégico de Logística, que foi um grande avanço em termos de planejamento e de visão futura, porque define investimentos e joga luz sobre os pontos mais importantes.

Acredita que as próximas eleições podem afetar o desenvolvimento das ações planejadas?
No nosso Estado, mesmo com a questão eleitoral este ano, acredito que os esforços para sobrepujar os problemas da logística terão continuidade, seja quem for o eleito, assim como o planejamento, que já entrou na cultura gerencial. Então, acho que qualquer um que assuma o governo não mais prescindirá disso. E outra coisa importante também: nós temos uma bancada federal pequena, mas à medida que ela vai pegando mais experiência, mais traquejo, sua atuação fica ainda melhor. A bancada tem um peso importante nisso. Nós temos aqui no Espírito Santo um entrosamento muito positivo com esses políticos, que hoje formam uma bancada toda voltada, realmente, para o desenvolvimento local. Nós temos tratado essas questões de infraestrutura em conjunto com a bancada, e esse trabalho que se faz aqui entre os poderes e a classe empresarial, com todos direcionando esforços no mesmo sentido, é uma conquista capixaba, não tem em outros estados, não.

Como analisa o futuro da atividade logística no Estado?
Nós temos que trabalhar em busca da multimodalidade, pois esse é o futuro. Temos que ter todos os modais integrados. Agora, não resta dúvida de que o porto é uma porta de entrada e saída que puxa o resto. Se você amplia a área portuária em Aracruz, você tem que ter a ferrovia atendendo, tem que ter as rodovias, tem que ter infraestrutura. Por isso é que o Peltes é interessante, porque ele tem que apontar as soluções. Na área estadual, o governo está andando bem. Fez o PDR, que é o Plano de Desenvolvimento Rodoviário, que mapeou todas as necessidades, como deverão ser as obras, e produziu um material bem amplo. O Estado está todo planejado nesse ponto e o DER está cuidando disso. Então, na área estadual nós estamos muito bem em termos de estradas, tanto em projetos quanto em execução, já.

Outra questão importante, que é a dragagem do porto, é que a licitação já está saindo e creio que teremos essa obra iniciada já este ano. Agilizar isso é importante, porque assim se otimiza o porto, cuja capacidade instalada pode ser mais explorada, para possibilitar uma travessia de uns cinco a sete anos, até que se tenha a solução definitiva para o porto de águas profundas. No Peltes estão indicados como possibilidades, do sul para o norte, os municípios de Ubu, Praia Mole e Barra do Riacho. São três opções que temos, o que já é um aspecto positivo a ser destacado. Um desses três portos irá acontecer, com toda a certeza.

A crise econômico-financeira mundial ainda é um fantasma à espreita. O senhor acredita que os investimentos anunciados serão mantidos?
Não temos projeções de números nem investimentos para este ano, porque essas iniciativas ficam na dependência da esfera federal. Mas os investimentos privados vão sair - Jurong, porto de águas profundas e outros. Isso é certo. Agora, não resta dúvida de que a dependência que nós ainda temos do Governo Federal é um fardo pesado que temos que carregar, por mais que hoje haja diálogo e até entrosamento com as instâncias federais. Por exemplo, nós nunca tivemos um DNIT tão presente, tão entrosado com a sociedade. A Infraero também. A Codesa é outra, que já há algum tempo tem estreitado a proximidade conosco. Antes, eram entes totalmente desconectados daqui. Eles tinham contato com Brasília, e ponto final.

Quanto às rodovias, onde devem se concentrar os investimentos?
Nossos dois grandes gargalos são a BR 101 e a 262. A 262 tem que ser alargada e melhorada, para eliminação de alguns pontos críticos. Isso aí tem um projeto, que está em licitação, mas está um pouco devagar. Quanto à BR 101, é importante dar andamento à questão da concessão para que ela seja duplicada, porque se esperarmos pelo Governo Federal podemos aguardar, quem sabe, mais dez anos, e perderemos importantes investimentos, já que é inviável para o desenvolvimento local que a situação permaneça como está. A questão central é a concessão, até para entrarmos nesse programa que a ANTT está anunciando, de soltar novas licitações em junho. Nós não podemos perder esse bonde porque, uma vez resolvido o problema com o Ministério Público Federal, há vários interessados em investir na duplicação, inclusive grupos estrangeiros.

Por que a concessão da BR 101 é tão importante?
A BR 101 tem importância fundamental para o Estado porque, bem estruturada, ela vai levar o desenvolvimento para o interior e os extremos do Espírito Santo. Linhares, por exemplo, tem potencial para se tornar a Campinas do Espírito Santo. Com a duplicação da BR 101, você viabiliza uma série de investimentos que o sul do Estado também precisa. Enfim, ela possibilita a descentralização do desenvolvimento em torno da Grande Vitória.

E mais: ela é um grande indutor para o turismo rodoviário do Brasil - um dos maiores geradores de emprego. Claro, preservando a questão ambiental. Isso é uma demanda reprimida que nós não conseguimos medir. Nós só podemos medir os carros que estão trafegando, mas não temos como saber quantos estão deixando de fazê-lo pelas péssimas condições rodoviárias.

Fora isso, vai melhorar radicalmente a velocidade econômica necessária. A velocidade que você leva para atravessar o Estado por rodovia impacta fortemente não só nos custos do transporte, mas na emissão de poluentes no ar, pela queima exagerada de combustível. A velocidade média ideal é de 65 a 70km, que hoje nós não alcançamos.

Você não está privilegiando o modal rodoviário?
Não é isso. O Estado precisa de portos, rodovias, ferrovias e aeroporto. Mas não se pode achar que vamos resolver tudo sem mexer com as rodovias. É impossível, porque é este modal que faz a ligação entre todos os outros. Por exemplo, uma alternativa para melhorar essa velocidade média ideal é a navegação de cabotagem (costeira), que desafogaria um pouco a BR. Mas tanto a cabotagem como a ferrovia precisam de uma distância mínima para se tornarem viáveis economicamente, porque o custo de implantação é muito alto. Não se resolve percursos de 200 km com esses modais. Então, o transporte rodoviário tende a diminuir um pouco o seu percentual de participação na matriz geral de transportes, que hoje é em torno de 63%, à medida que os outros avançam, mas não vai diminuir a sua importância, porque ele vai continuar aumentando em volume, em números absolutos, uma vez que é ele que faz toda a capilarização, é ele que complementa os demais, fazendo a interligação pontual, seja para o aéreo, o marítimo ou o trem.

Como analisa a situação do aeroporto?
Quando se olha para a questão aeroportuária, é preciso afastar os entraves urgentemente, e parece que agora as coisas vão começar a andar, pelo menos a ampliação do que já existe - a área de embarque e desembarque, dobrar o estacionamento e aumentar o estacionamento de aeronaves, que não tem. Vitória hoje deixa de receber vôos porque não pode ficar avião aqui à noite, por falta de espaço adequado. Então, isso também está na pauta para ser resolvido nos próximos meses. A informação que eu tenho é que a estação de passageiros está sendo remodelada para já atender a uma outra necessidade, já que no ano passado o aeroporto aqui fechou com um crescimento de quase 20% na movimentação. Quanto à construção da pista e tudo o mais, a questão com o consórcio já destravou e começam agora a surgir soluções, como a participação do Exército nas obras. Claro que temos que exercer uma pressão grande para que se aumente a velocidade disso.

 

 

Prefeito João Coser

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O prefeito de Vitória, João Coser (PT), recebeu a missão do presidente da República Luiz Ignácio Lula da Silva de levar aos prefeitos do Brasil o projeto do Partido dos Trabalhadores de eleger a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Coser acumula experiência como sindicalista, parlamentar e chefe do Executivo da capital capixaba por dois mandatos. Com essa bagagem, teve seu nome lembrado para a disputa ao governo do Estado em 2010. Entre uma agenda e outra, ele recebeu, em seu gabinete, a equipe da ES Brasil para uma entrevista na qual pôde avaliar sua trajetória política, o cenário político atual, as obras, a crise econômica mundial e os projetos para os próximos anos.

   

ES Brasil entrevista governador Paulo Hartung

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‘Eu espero que esse rumo que demos às coisas no Estado seja levado adiante e se possível, se Deus quiser, aperfeiçoado'

No dia 29 de setembro, após a apresentação do orçamento estadual para 2010 e do anúncio oficial, pela segunda vez consecutiva, do maior investimento público já feito pelo Governo do Espírito Santo - R$ 1 bilhão -, a equipe de jornalistas da ES Brasil esteve na residência oficial, na Praia da Costa, conversando com o chefe do Executivo estadual. O governador Paulo Hartung falou de suas expectativas com relação às oportunidades trazidas pela exploração do pré-sal, das conquistas de sua administração e dos desafios que as futuras lideranças terão pela frente.

 

Sidemberg Rodrigues

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"Inspirar as pessoas ao autoconhecimento é o melhor caminho para a espiritualidade"

Apesar da estreita afinidade com a literatura e a poesia, que o fizeram escrever "Mensagens do Vento" (poemas) e "Miséria Móvel" (crítica social, editado em quatro idiomas), o menino nascido em Muqui, no interior capixaba, formou-se em Análise de Sistemas e em Gestão de Empresas. E, inversamente, apesar da formação em Exatas, ele é também cineasta, poeta, músico, compositor e escultor. Essa personalidade curiosa e multifacetada define, mas não resume, Sidemberg Rodrigues, gerente de Comunicação, Responsabilidade Social e Relações Institucionais da ArcelorMittal Tubarão. Engajado na transformação social do Brasil e do planeta Terra, ele ministra palestras dentro e fora do país, nas quais propõe a espiritualidade como a melhor alternativa para equacionar sustentavelmente a problemática social mundial. Compaixão é sua palavra de ordem e a bandeira com a qual acredita contribuir para o nascer de um novo modelo civilizatório, que priorize a vida em todos os seus aspectos. Conheça melhor este executivo incomum e suas ideias renovadoras.

Por que a espiritualidade passou a ocupar tanto espaço nas suas preocupações? O que isso tem a ver com o seu trabalho?
A espiritualidade tem relação direta com o senso de pertencimento, que é o território geográfico ou social ao qual você está filiado. Se o seu território social é apenas a sua família, e você não olha para as comunidades em torno, para as ruas e para os outros, então seu foco está bem restrito. À medida que você vai expandindo esse território geográfico ou social, vai ganhando amplitude de visão. Então, sobre essas duas visões, houve, na verdade, uma ruptura, porque eu vivia num mundo tecnológico, mas já acreditando piamente que não existe outra maneira de a gente conviver, seja em que ambiente for, sem conciliar com a espiritualidade, que é a visão da compaixão. Agora, também houve, por outro lado, uma união, porque eu tentei trazer, da forma mais tranquila e gradativa possível, toda a nuance da gestão tecnológica para uma área extremamente subjetiva, para minimizar as distorções, os desvios, e maximizar o potencial de alcance do impacto (positivo).

E em que a sua formação em Análise de Sistemas contribuiu para o seu desempenho nos campos da responsabilidade social e da comunicação?
Eu entrei na área social conseguindo trazer para ela o germe da gestão, exatamente porque a visão sistêmica e a análise de sistemas me trouxeram esse enfoque: onde é que começa e onde é que termina? Como é que se mede? Que método usar para isso dar certo? Hoje, temos uma metodologia em constante aperfeiçoamento, mas não foi fácil dar origem a ela, nem para nós, nem para as pessoas que lidam conosco - no caso, as ONGs e as comunidades. Até porque, no Brasil, ainda não há a cultura de se medir e muito menos de se demonstrar resultados nessa área.

Metas e os indicadores são fundamentais em gestão, mas normalmente referem-se a aspectos que podem ser numericamente quantificados. Onde fica a parte subjetiva dos projetos sociais nos indicadores que as companhias usam para avaliá-los?
Esse é o grande dilema da Sociologia moderna. Ela incorporou a Estatística, mas não pode perder de vista o Humanismo. Aqui na companhia, trabalhamos com uma metodologia que mistura conceitos, idéias e tecnologias da Fundação Itaú Social, do Instituto Ayrton Senna e do Diálogo Social (uma ONG de São Paulo). Uma atende mais o aspecto quantitativo; a outra mede estima - por exemplo: o quanto mais feliz ficou uma pessoa com a sua comunidade mais desenvolvida? Com um jardim bonito perto da casa dela? Mas é um desafio enorme explorar adequadamente aquilo em que a tecnologia pode ajudar a Sociologia. Por exemplo: eu posso olhar num gráfico de geoprocessamento a distribuição dos projetos no espaço físico, para que municípios e bairros recebam de forma equivalente os investimentos. Posso observar a gestão: quanto estou investindo em projetos de cultura, de saúde, de educação; qual é o IDH, os índices de violência etc. São todos indicadores quantitativos, que me dão respaldo. Agora, eu não posso deixar de olhar o brilho nos olhos das pessoas em ter um evento cultural como o Concerto de Natal, ou de uma criança que nunca viu um palco se apresentar para uma platéia de 40 mil pessoas na praia de Camburi.

Você fala bastante em espiritualidade e compaixão, mas como fazer isso funcionar efetivamente no ambiente interno das empresas? Como integrar essas noções à gestão?
Espiritualidade e compaixão são coisas complicadas de se implementar empresarialmente porque não podem ser metas que venham do alto comando para serem desdobradas, pois é um caminho peculiar de cada pessoa. O que podemos fazer dentro da empresa é inspirá-las a pensarem nisso e mostrar que é importante. Não adianta colocar uma meta: tantos empregados vão ser espirituais daqui a 20 anos. Isso não é uniforme nem homogêneo, a empresa tem um dinamismo muito grande, entra e sai gente. A rotina faz com que as pessoas esqueçam disso. Então, a ideia é ficar lembrando sempre. A sustentabilidade em seis dimensões incorpora a dimensão espiritual, da qual a gente fala tanto quanto na ambiental, na cultural, na econômica etc. Mas, por falar muito na espiritual, ela acaba sendo lembrada mais vezes. E sabe o que é mais interessante? O mundo todo está procurando isso mais ainda agora, depois dessa crise, porque a principal lição dela foi que somos interdependentes. A interdependência das coisas e das pessoas finalmente veio à tona, e de uma forma muito dura. Normalmente eu dava cinco palestras por ano sobre espiritualidade. Este ano, eu já ministrei 12, e em países e fóruns totalmente diferentes - seminários de logística, de sustentabilidade, de engenheiros, de corretores de seguros, de sociólogos, de cientistas...

O que é a sustentabilidade em seis dimensões?
É o econômico interagindo com o ambiental, com o social, o político, o cultural e o espiritual. Você não pode pegar isso e transpor para o PIB. Então, ele não é uma boa medida, porque não mede o mais importante, que é o ser humano. O dinheiro tem que ser bem gerido para proporcionar o mínimo necessário: saneamento básico, educação, saúde. À medida que você começa a avançar na satisfação dessas necessidades básicas, percebe que as pessoas não vivem só disso. "A gente não quer só comida", como diz a música. Então, os alimentos da alma, que o PIB traria, têm que ter um outro indicador.

E como a empresa pode saber se está no caminho certo?
Você não consegue medir o quanto uma empresa é espiritual ou não, e nenhuma delas pode afirmar que é, porque sempre haverá gente em diferentes estágios desse processo e as pessoas precisam ser respeitadas em sua individualidade. Por isso, acho que o primeiro passo é levá-la a olhar para dentro de si. À medida que fazem isso, elas automaticamente se expandem em termos de consciência e conseguem lidar melhor e respeitar o que está fora. O que acontece muito nas empresas é que o econômico, o social e o ambiental param ali; ninguém entende que dentro disso tem toda uma questão humana, que é transversal. Inspirar as pessoas ao autoconhecimento é o melhor caminho para a espiritualidade, que nada tem a ver com religião. É o holismo, a visão do todo. E o que é comum para todo mundo, espiritualmente falando? A compaixão. Até um ateu pode ter compaixão. Então, espiritualidade é a sua capacidade de ver esse todo e mergulhar em você para resgatar a raiz emocional da responsabilidade, que é a compaixão.

Outro aspecto que você reforça muito nas suas palestras é o do funcionamento em redes. Um dos grandes desafios de empresas e instituições é justamente fazer com que as pessoas trabalhem juntas. Como então reunir em uma mesma rede instâncias tão diferentes quanto sociedade, governos e empresas?
Mostrando, pelo uso de meios metodológicos e tecnológicos, com provas, com fatos e dados, que as coisas funcionam melhor em conjunto. Mostrando, com fatos e dados, para aonde o mundo está caminhando; em que isso vai culminar. Qual a empresa que pode operar num mundo inóspito, onde os índices de violência são altos, os índices epidêmicos são altíssimos - veja aí as gripes aviária, suína, a dengue etc? Então, temos que passar a construir mais pontes do que muros. A empresa precisa se descobrir como um organismo vivo, um ente social por excelência. Ela tem que perceber: se funciona melhor num tecido social sadio, por que é que não participa do desenvolvimento dele com ações de comprometimento social, em lugar de responsabilidade social? Comprometimento social é aplicar indicador, metodologia, tecnologia, para ter lá fora a gestão do mundo privado. Não adianta dar dinheiro para uma ONG fazer algo sem saber se aquilo está tendo resultados efetivos, se aquele impacto está realmente ocorrendo, se aquele dinheiro está chegando ao fim a que se destina. Eu posso até, de repente, estar contribuindo com o quarto setor, que é o crime organizado, sem saber! A grande verdade da maioria das empresas é que ninguém quer fazer comprometimento social porque dá trabalho, porque tem que investir tempo, dinheiro, em gente, em metodologia, em tecnologia. Mas os ganhos são incomparáveis, imensuráveis.

Em momentos de crise, é comum e até recomendável reavaliar procedimentos e critérios. A crise mundial provocou algum tipo de reavaliação nas políticas social ou ambiental da ArcelorMittal Tubarão?
Em termos orçamentários, temos buscado maximizar os recursos que temos. A tecnologia, a metodologia e a gestão permitem que com pouco você consiga fazer muito, e num momento de crise continue fazendo a mesma coisa. Tanto, que não houve corte no investimento na área social, que se manteve em torno de 10 milhões de reais este ano. E nós temos passado para os parceiros e projetos essa mesma ideia: que vamos manter esse recurso, mas que temos que fazer mais com ele. Não porque a gente queira mais e mais, mas porque tem mais gente que precisa de apoio. Você não precisa de muito dinheiro para fazer o social funcionar. A crise também trouxe essa lição para a gente, que se pode otimizar o investimento com o recurso da metodologia, tecnologia e gestão adequada. Hoje, conseguimos atender com a mesma verba um público ainda maior.